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Cidade Romana-Eburobrittium
Posted by: Groundspeak Regular Member h_raky
N 39° 21.749 W 009° 08.471
29S E 487837 N 4357012
Quick Description: Built on a small hill, a little more than a thousand meters from the present town of Óbidos, Eburobrittium was a great metropolis of the Roman province of Lusitania, whose location and destination have remained mysterious for centuries.
Location: Leiria, Portugal
Date Posted: 4/19/2009 6:07:57 AM
Waymark Code: WM67PZ
Published By: Groundspeak Regular Member manchanegra
Views: 12

Long Description:
Edificada numa pequena colina, a pouco mais de mil metros da actual vila de Óbidos, Eburobrittium foi uma grande metrópole da província romana da Lusitânia, cuja localização e destino permaneceram misteriosos durante séculos.
No século I, o autor romano Plínio-o-Velho, escreveu acerca das cidades romanas na costa atlântica da Península Ibérica, referindo a existência de uma cidade, designada por Eburobrittium, localizada algures entre Collipo (Leiria) e Olisipo (Lisboa). Todavia, nos seus escritos, o autor não referiu qual a sua localização exacta, o que na ausência de quaisquer vestígios materiais, levou a que diversos autores tenham, ao longo dos tempos, procurado estabelecer a sua localização. Assim, Bernardo de Brito, situou-a em Alfeizerão, Diogo de Vasconcelos em Évora de Alcobaça, Borges de Figueiredo perto de Pataias e Eduíno Borges de Garcia em Amoreira de Óbidos. Mais recentemente, estudos de Pedro Barbosa apontavam para Perreitas enquanto Jorge Alarcão e Vasco Mantas, sugeriam já uma localização próxima de Óbidos.
Curiosamente, não foi a realização de estudos sistemáticos de localização, ou quaisquer outros trabalhos arqueológicos, que permitiram lançar luz sobre mistério... Em 1994 aquando dos trabalhos de construção do IP6 e do IC1, foram postos a descoberto alguns vestígios arqueológicos da época romana que pelo interesse suscitado, conduziram desde logo a trabalhos de escavação do local. A dimensão e tipologia dos vestígios rapidamente permitiram concluir que não se estava perante as ruínas de uma villa, mas sim de algo muito mais importante, uma cidade dotada de um fórum de dimensão apreciável e de um conjunto termal importante, descrição que encaixava perfeitamente na cidade perdida de Eburobrittium.
Curiosamente, não foi a realização de estudos sistemáticos de localização, ou quaisquer outros trabalhos arqueológicos, que permitiram lançar luz sobre mistério... Em 1994 aquando dos trabalhos de construção do IP6 e do IC1, foram postos a descoberto alguns vestígios arqueológicos da época romana que pelo interesse suscitado, conduziram desde logo a trabalhos de escavação do local. A dimensão e tipologia dos vestígios rapidamente permitiram concluir que não se estava perante as ruínas de uma villa, mas sim de algo muito mais importante, uma cidade dotada de um fórum de dimensão apreciável e de um conjunto termal importante, descrição que encaixava perfeitamente na cidade perdida de Eburobrittium.
A partir dos dados entretanto obtidos, admite-se hoje que Eburobrittium se tenha desenvolvido a partir do final do séc. I a.C., sobrevivendo até à segunda metade do século V d.C. Foi sede de civitas compreendendo um território que se estendia por uma área que confinava com as civitas de Collipo (Leiria), Scallabis (Santarém) e Olisipo (Lisboa). Parece ter sido uma cidade aberta, sem capacidade de defesa, aspecto que terá levado ao seu abandono no âmbito dos conturbados tempos que marcaram o declínio do Império Romano. Terão sido por certo as preocupações de ordem defensiva, aliadas a eventuais alterações da geografia local (com o recuo das águas da Lagoa) que terão motivado a "reinstalação" do burgo no local onde hoje se encontra a vila de Óbidos. Se assim for e tendo em conta o elevado grau de destruição dos edifícios, em altura, é de admitir que alguns dos edifícios da actual vila, possam integrar materiais originais da antiga cidade romana.
Certo é que para a instalação e sucesso de Eburobrittium contribuíram decisivamente a proximidade das águas da lagoa de Óbidos - que se pensa, há época, chegariam bem perto do local - e de áreas de floresta que permitiam abastecer a população com produtos alimentares, bem como os solos ricos em minerais, as águas sulfurosas para banhos e as águas potáveis. Era, em suma, uma cidade importante, na escala das urbes do Império Romano. Prova disso é a sua área global e a significativa dimensão do fórum e das termas.
Os trabalhos de escavação, realizados em diversas campanhas anuais realizadas desde 1994, sob a direcção do arqueólogo Beleza Moreira, permitiram definir uma área de estudo com cerca de seis mil metros quadrados, na qual foram identificadas, uma parte do fórum, as termas e mais 10 estruturas romanas, além de 3 outras estruturas medievais/modernas, relativas a uma posterior ocupação humana do local.
O Fórum, o primeiro edifício a ser identificado, desempenhava na vivência romana, uma função tripla, englobando uma zona comercial (tabernae), uma zona administrativa (Basílica) e uma zona religiosa (templo). Presentemente encontram-se a descoberto 11 tabernae e 2 conjuntos de sapatas pertencentes a uma basílica e a um pórtico.
Do lado poente existe um pequeno vão que corresponderá a uma escada e a uma sala parcialmente dividida, provavelmente um tabularium e/ou aerarium. A Basílica, de dois tramos e aberta para o pátio interior, ficaria situada a sul do conjunto. No que se refere ao templo estará, por certo, sob o actual traçado do IP6.
As dimensões do Fórum são de 43,20 m de largura por 64,80 m de comprimento, o que leva a crer que terá sido edificado seguindo a regra dos dois terços, definida por Vitrúvio.
Do edifício termal, apenas se encontra escavada a zona quente (lacónico, sala das banheiras, sala de descanso), um praefurnium e um corredor de serviço. O lacónico tem uma piscina circular com 3,4 metro de diâmetro, apresentando dois degraus, com 30 cm de largura.
As escavações do local foram financiadas, nas duas primeiras campanhas, através do IPPAR, após o que esse encargo passou a ser assumido pela Câmara de Óbidos e pela Associação Nacional de Farmácias, que entretanto adquiriu também a quinta onde se encontra a estação arqueológica.
O local tem permitido recolher um interessante espólio integrado numa pequena exposição permanente. De entre as peças encontradas destacam-se algumas peças de cerâmica, nomeadamente, fragmentos de loiças finas itálicas e hispânicas e cerâmicas grossas com marcas de oleiro e/ou dos donos das encomendas. As loiças finas são de grande requinte na ornamentação, com decorações claramente visíveis de figuras humanas, tal como de bigas e de quadrigas, e são perfeitamente envernizadas. Também significativas são as peças de vidro e de metal. Neste último material foram encontrados pregos, fíbulas e outros adornos. Os materiais cerâmicos e metálicos pertencem a um período compreendido entre finais do século I a.C. até ao V d.C. e vidro a partir do século I d.C.
Entretanto e na sequência de acordo com o Instituto das Estradas de Portugal (IEP), encontra-se em preparação a construção de um desvio da A8 (nó de Arnoia) que permitirá prosseguir com os trabalhos de escavação da restante parte do fórum e do complexo de edifícios termais, parcialmente cobertos pela auto-estrada.
No que respeita ao futuro aproveitamento turístico de mais este importante pedaço do nosso património, está a ser desenvolvido um projecto global constituído por um museu de arqueologia e um centro de interpretação arqueológica. Não existe ainda uma data definida para quando poderá ser possível disponibilizar o local à visita pública. Certo é que o estudo deste local é de extraordinária importância para o conhecimento dos desenvolvimentos económico, social e cultural da região durante a permanência do Império de Roma na Península, permitindo ainda entender o povoamento romano da época ao longo daquela faixa do litoral português.
Most Relevant Historical Period: Roman Kingdom < 509 B.C.

Condition: Completely intact or reconstructed

Admission Fee: Not listed

Opening days/times: Not listed

Web Site: Not listed

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